
Namoros violentos
O seguinte artigo deve ser compartilhado preferencialmente com juvenis e adolescentes de mais idade. Não é nossa intenção estimular a formação de namoros ou relacionamentos ocasionais precoces, mas como somos conscientes de que eles infelizmente existem e acreditamos ser possível trabalhar na prevenção destas situações, optamos por incluir o assunto esperando que seja útil. Por questões de estatística o artigo se refere especificamente às garotas como vítimas, mas esta situação não impede de considerarmos a possibilidade de que algum garoto também o seja.
Continuamente tomamos conhecimento de casos próximos e dolorosos de violência familiar nos quais várias vidas sofrem com as feridas dos maus tratos constantes. Diante dessas situações, certamente alguma vez pensamos: “Ela não se deu conta das atitudes de seu cônjuge antes de se casar e ter filhos? Pode uma jovem de tão pouca idade se dar conta das características violentas de seu parceiro durante o namoro?” Sem dúvidas, a resposta tem sido (e continua sendo) afirmativa na maioria dos casos.
Qualquer um de nós que observar, com atenção, alguns casais à nossa volta poderá ver que é possível detectar alguns claros indícios do jovem violento, mas muitas vezes é a jovem adolescente que garante que não os vê. Ou, quando percebe, aceita como algo natural, desculpando algo inaceitável.
Se olharmos algumas estatísticas de diferentes países constataremos, por exemplo, que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos assegura que, na atualidade, entre 20 e 35% das relações pré-matrimoniais daquele país incluem características violentas. E 40% das jovens de 14 a 17 anos revelou conhecer alguma pessoa da sua idade que foi agredida pelo namorado. No México, de acordo com um informe oficial, 6 em cada 10 mulheres admitem ter sofrido violência durante o namoro. Na Argentina a estatística é semelhante, a ponto de estimular a formação de uma linha telefônica gratuita somente para dar assistência às vítimas de namoros violentos.
Diante deste fato consumado (que também atinge os jovens adventistas), o que podemos fazer na Escola Sabatina? Como sempre, a resposta é: podemos fazer muito.
Fundamentalmente nossa ajuda consiste em realizar três tipos de tarefas:
- Prevenção primária (destinada às/aos jovens que ainda não foram vítimas);
- Orientação (para os que se encontram em situação de risco);
- Acompanhamento e apoio emocional (para todos os casos).
Prevenção Primária
A melhor maneira de prevenir este tipo de situação é ajudando nossas crianças a compreender a importância do namoro (falaremos oportunamente sobre este assunto), assumindo que é necessário certa maturidade de ambas as partes para levar adiante uma relação saudável e enriquecedora. Se o que queremos é evitar a apresentação das situações violentas em namoros já instalados, devemos informar e advertir as crianças sobre esta realidade.
Para conseguir isto, proponho manter uma conversa informal sobre este assunto e oferecer dados atualizados sobre a situação de seu país ou região (a internet ou algum profissional da igreja podem ajudar). Posteriormente o melhor é abrir o diálogo, permitindo que os jovens comentem casos que tenham conhecimento. Neste momento preste uma atenção especial, já que muitas vezes os relatos correspondem à situações pessoais que, por vergonha, são disfarçados em experiências alheias.
Convém indicar alguns sinais que permitam saber quando uma relação normal pode se tornar violenta. Faremos a seguir uma breve síntese destes aspectos. Se você deseja aprofundar-se no assunto, recomendo a leitura do capítulo 9 do livro Amores que Matam, de Miguel Angel Núñez.
Sinais de perigo
- Controle das atividades do companheiro/a (ligações perguntando onde está e o que está fazendo);
- Ciúmes extremos (progressivamente não permite ao companheiro/a relacionar-se com amigos do sexo oposto);
- Tendência a fomentar o isolamento social de seu companheiro/a (criticando seus amigos ou parentes, tendo atritos com eles e obrigando a outra pessoa escolher “ou eles ou eu”);
- Beijos ou carícias sem consentimento do outro (o corpo do outro passa a ser visto pelo agressor como algo de sua propriedade);
- Cenas públicas e particulares ameaçando terminar o relacionamento se o companheiro/a não fizer o que ele/a quer (controle caprichoso da situação);
- Denegrir sistematicamente a outra pessoa (“você é uma estúpida”);
- Pressão para manter relações sexuais quando, como e onde ele desejar;
- Empurrões ou chacoalhões periódicos (apelando à força física para obter o que deseja e minimizar a outra pessoa);
- Silêncio prolongado em situações de raiva;
- Família de características violentas (nem todos os filhos de pais violentos serão violentos também, mas todos os violentos receberam a violência como modelo familiar);
- Manipulação afetiva mediante culpa (“se você me deixar, eu me suicido”);
- Conceito machista sobre a mulher e seu papel social (“lugar de mulher é na cozinha”);
- Tratamento desagradável em relação à mãe (ignorando-a ou subestimando-a);
- Instabilidade emocional (reações de irritabilidade imprevisíveis e intempestivas);
- Relacionamento mantido pelo temor e não por amor;
- Relacionamento com características cíclicas (etapas maravilhosas de presentes, beijos e bom tratamento seguidos por etapas de descontrole e raiva sem verdadeiro fundamento)
Orientação
Devemos apoiar as garotas mostrando onde buscar ajuda. Para isso, realize uma busca na internet ou ligue para alguma delegacia em seu município, informando-se sobre centros assistenciais, defensorias, juizados de menores, hospitais ou profissionais médicos e psicólogos que trabalhem com esta problemática social. Ofereça também endereços eletrônicos ou números de telefones de assistência. Alguns jovens preferem manter o anonimato quando buscam ajuda.
Acompanhamento e apoio emocional
Uma jovem que é prisioneira deste tipo de relacionamentos costuma ter a auto-estima deteriorada e possui uma grande necessidade afetiva que a leva a permanecer com seu companheiro acreditando que ele a quer desta maneira.
Para contrapor este efeito podemos ajudar às vítimas (e a quem ainda não é vítima) lembrando o valor que Deus dá à sua vida. Ajude seus alunos/as a se sentirem queridos/as por você, e nunca se esqueça que é fundamental dar abertura para o diálogo pessoal, já que talvez este seja o melhor caminho para poder atuar de maneira bem concreta com os que precisam de ajuda. Procure fazer com que a jovem comente a situação com sua família e que alguém entre eles, se for necessário, a acompanhe para pedir ajuda. Nesses casos pode ser útil a consulta com algum profissional da igreja, do nosso meio.
Diante de tanta violência social e individual que nos rodeia, nossos jovens precisam mais do que nunca de nós. Por esse motivo, convido-lhe novamente para que, com a ajuda de Deus, possamos nos comprometer com eles hoje, para evitar maior sofrimento no futuro.
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